Vida no exterior: adaptacao diária aos costumes e a vida longe de “casa”

Vida no exterior: adaptacao diária aos costumes e a vida longe de “casa”

Por mais que no Brasil eu seja uma pessoa relativamente prática, que tem sempre o necessário em mãos e se arruma rápido para sair, aqui na Alemanha, o meu jeito de ser está quase chegando ao normal. Em um país machista como o Brasil, levo vantagem por ser independente, mas aqui, quase nada.  Na Alemanha  as pessoas são muito independentes, principalmente as meninas, que não cresceram em uma sociedade machista (sim, a sociedade brasileira é machista). Isso acontece porque desde pequenos os alemães são incentivados a se virar sozinhos e porque várias coisas podem ser feitas, uma vez que o país é bem seguro.

Diariamente preciso me comunicar em uma língua estrangeira e, às vezes, em duas línguas, com um vocabulário extenso que vai desde utensílios domésticos até discussões subjetivas. Pense, se já á difícil expressar seus sentimentos em discussões filosóficas e políticas na sua língua materna, imagina em inglês e alemão, com pessoas de outras culturas que têm o domínio do idioma muito acima do seu e/ou um vocabulário diferenciado. Agora que o meu nível de alemão melhorou, percebo como é difícil conversar com aqueles que sabem menos. Estou muito grata aos que tiveram – e ainda têm –  paciência comigo. Sei que não é fácil falar sobre alguns temas com alguém que não tem o domínio completo do idioma.  É difícil perceber se está sendo entendido 100% ou se, por vergonha, a outra pessoa finge que entende. O pior de tudo é entender errado. Eu sinto que eu não pareço muito esperta em inglês e alemão 🙁 mas eu procuro rir com os meus erros e é claro, melhorar. Acontece bastante de eu entender algo errado, mas devagar e sempre né 🙂

Só um PS: eu comecei a aprender alemão há 2 anos e meio e falo inglês há 3 anos e meio. Aqui, praticamente todo mundo fala inglês há anos e/ou até estudam no idioma. :O não dá para fazer milagre.

Mas voltando a adaptação. Morar no exterior é mesmo uma reflexão diária. As emoções são intensas e só quem já viveu o mesmo pode talvez entender. Tento não reclamar da cultura alemã, mas aprender. Infelizmente pequenos detalhes fazem o dia a dia mais difícil.

Diariamente eu sinto que vivo as fases de choque cultural. Quando estou triste, a primeira coisa que penso é: quero voltar para casa. Logo em seguida penso novamente e percebo que a minha casa agora é aqui, eu decidi vir e não posso deixar um momento de fraqueza me remeter a um pensamento infantil. Quando se mora no exterior, não importa se é a primeira ou a quinta vez, você provavelmente vai sentir o que eu sinto intensivamente quase todos os dias. Morar fora do seu país é viver todos os seus sentimentos de forma intensiva e paradoxal.

Aqui, por mais que uma pessoa goste muito de você, raramente vai te abraçar forte. Na Alemanha não é muito normal dividir a sua comida com todo mundo. Para quem mora aqui: Já viu alguém dividir um chiclete? Ok, o chiclete é muito pequeno, mas um brasileiro nunca vai comer um sem oferecer para todos ao redor. Por falar em dividir, já sabe como é o quarto de um alemão? ( clique aqui e leia mais sobre)

PS: As perguntas e comparações tem o intuito de reflexão e não de crítica aos alemães. Existem aspectos daqui que também me fizeram falta enquanto eu morava no Brasil.

IMG_20141016_175301555Para ilustrar esse post quero homenagear 3 amigos em Dresden que me deram muito suporte nos últimos meses. Estamos quase todos na mesma situação: Brasileiros guerreiros , passamos no nível C1 em alemão e somos estudante na Alemanha, infelizmente ainda sem bolsa 🙁 

Há dois meses, finalmente passei no exame de alemão e comecei a Universidade. Finalmente com uma rotina super cheia e completa, eu tenho ido às aulas, praticado esporte, me encontrado com amigos, investido na minha carreira e até encontrar tempo para mim. Descobri que uma agenda lotada me ajuda a me sentir melhor e posso dizer que esse um mês me ajudou muito na adaptação. No último mês eu fiquei realmente triste uma vez 😀 e foi porque eu queria estar entendendo 100% as aulas (impossível até para os alemães).

Dica para quem mora no exterior: Separe sempre tempo para si mesmo, refletir e ajuda a se sentir melhor. Faça amigos que estão na mesma situação que você, só eles entenderão 100% os seus receios e expectativas. Esteja aberto as oportunidades e não deixe de conhecer as pessoas do lugar em que você mora e aprender o idioma.

Já leu: Morar na Europa não é um conto de fadas?

Natasha Szejer

5 thoughts on “Vida no exterior: adaptacao diária aos costumes e a vida longe de “casa”

  1. Fácil não é mesmo Natasha, mas somos Brasileiras e desistimos nunca 🙂

    Força menina!
    Lg aus Allgau,
    Mari

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